Se você tem um bichinho em casa, já deve ter ouvido que precisa dar remédio de verme de tempos em tempos. Mas quando exatamente? E de quanto em quanto tempo? Foi essa dúvida que me fez conversar bastante com veterinários quando adotei meu primeiro filhote, e hoje eu explico tudo o que aprendi. Neste guia, eu falo sobre a vermifugação em cães e gatos de um jeito simples, com prazos, frequência e os erros que eu vejo muita gente cometer.
O que é a vermifugação em cães e gatos e por que ela importa tanto
A vermifugação é o uso de medicamentos antiparasitários para eliminar os vermes que vivem no intestino dos animais. Os mais comuns são as “lombrigas” (nematódeos) e a tênia, que costuma chegar ao pet pela pulga. Muita gente acha que isso só acontece com bicho de rua, mas não é bem assim. Até o gato que nunca saiu do apartamento pode se infectar, por exemplo, com ovos trazidos na sola do sapato.
Além disso, a vermifugação protege a família inteira. Alguns desses parasitas passam para as pessoas, principalmente para crianças que brincam no chão ou na terra. O CDC explica que a toxocaríase, causada por larvas de vermes de cães e gatos, pode afetar humanos. Por isso, vermifugar é uma questão de saúde pública dentro de casa, e não só de cuidado com o pet.
Sinais de que seu pet pode estar com vermes
Eu aprendi do jeito difícil que nem sempre o corpo avisa. Muitos animais com vermes parecem totalmente normais. Mesmo assim, alguns sinais merecem atenção:
- Barriga inchada, principalmente em filhotes;
- Diarreia ou fezes moles que não melhoram;
- Vômito, às vezes com vermes visíveis;
- Perda de peso mesmo comendo bem;
- Pelo opaco e sem brilho;
- Arrastar o bumbum no chão;
- Pequenos “grãos de arroz” perto do ânus ou nas fezes, típicos da tênia.
Se as fezes do seu cachorro estão estranhas, vale ler também sobre cachorro com fezes moles, porque nem sempre a causa são vermes. Aliás, justamente por esses sinais poderem confundir, a vermifugação preventiva faz tanta diferença.
Quando começar a vermifugação em cães e gatos
Nos filhotes
Os filhotes são os mais vulneráveis. Muitos já nascem com larvas, que passam da mãe para eles ainda na gestação ou pelo leite. Por isso, o primeiro vermífugo costuma ser dado bem cedo, geralmente a partir dos 15 a 30 dias de vida, conforme a orientação do veterinário.
Depois da primeira dose, o remédio precisa ser repetido em intervalos curtos, já que ele elimina os vermes presentes, mas não protege contra os que aparecem depois. Em geral, a repetição é a cada 15 dias nas primeiras semanas e depois mensal até os seis meses. Quando eu levei minha cachorrinha à primeira consulta, a veterinária montou esse calendário junto com o das vacinas, e isso me deixou muito mais tranquila. Se você ainda não fez essa visita, veja quando levar o pet ao veterinário pela primeira vez.
Nos adultos
Passada a fase de filhote, a regra mais comum é repetir a vermifugação a cada três meses. No entanto, essa frequência muda conforme o estilo de vida do animal. Um cachorro que passeia em parques, cava terra e convive com outros bichos tem mais risco do que um gatinho que vive só dentro de casa. Por isso, o ideal é combinar o intervalo certo com o veterinário que acompanha seu pet.
Nas fêmeas gestantes e em idosos
Fêmeas que vão cruzar ou que estão grávidas precisam de um protocolo específico, porque os vermes podem passar para os filhotes. Nunca dê remédio por conta própria nessa fase. Já os animais idosos, ou com alguma doença crônica, também pedem uma avaliação individual, pois o organismo deles reage de outro jeito aos medicamentos.
Com que frequência fazer a vermifugação em cães e gatos
Para facilitar, montei uma tabela com as frequências mais comuns. Lembre-se de que ela é um ponto de partida, e o esquema exato deve ser definido pelo veterinário.
| Fase da vida | Frequência mais comum |
|---|---|
| Filhotes (a partir de 15 a 30 dias) | Repetições a cada 15 dias nas primeiras semanas, depois mensal até os 6 meses |
| Adultos com acesso à rua ou a outros animais | A cada 3 meses, em média |
| Adultos que vivem só dentro de casa | A cada 3 a 6 meses, conforme o veterinário |
| Fêmeas gestantes ou lactantes | Protocolo individual, definido pelo veterinário |
| Idosos ou com doenças crônicas | Avaliação individual |
Erros comuns na vermifugação que eu aprendi a evitar
Com o tempo, percebi que os deslizes são quase sempre os mesmos. Então vale ficar de olho:
- Dar a dose “no olho”. O vermífugo é calculado pelo peso do animal. Dose a menos não resolve, e dose a mais pode causar intoxicação.
- Usar o remédio do cachorro no gato. Alguns produtos são seguros para uma espécie e perigosos para a outra. Sempre confira o rótulo.
- Parar depois da primeira dose. Os ovos e larvas que sobram precisam de uma segunda dose para serem eliminados.
- Confiar em receitas caseiras. Alho, semente de abóbora e outras simpatias não substituem o vermífugo e ainda podem ser tóxicos, no caso do alho.
- Esquecer a data. Eu mesma já perdi a conta uma vez, e desde então marco no calendário do celular com alerta.
O exame de fezes e a consulta veterinária
Existe um exame simples chamado parasitológico de fezes, que identifica quais vermes o animal tem. Ele ajuda o veterinário a escolher o princípio ativo certo, porque nem todo vermífugo age contra todos os parasitas. Além disso, ele serve para confirmar se o tratamento funcionou.
Também é importante saber que a vermifugação não substitui outros cuidados. A dirofilariose (o “verme do coração”), por exemplo, é transmitida por mosquitos e tem prevenção própria. Para conhecer os protocolos de referência sobre parasitas em animais de companhia, o Companion Animal Parasite Council reúne diretrizes atualizadas. Da mesma forma, manter a vacinação em dia é parte da mesma rotina de saúde, e eu expliquei isso no guia completo de vacinação para cães.
Cuidados em casa para reduzir o risco de vermes
O remédio é só uma parte da prevenção. No dia a dia, eu faço o seguinte:
- Recolho as fezes logo após o cocô, no quintal ou na rua;
- Higienizo a caixa de areia e as áreas de descanso com frequência;
- Mantenho o controle de pulgas em dia, já que elas transmitem a tênia;
- Lavo as mãos depois de mexer no pet, principalmente antes de comer;
- Evito deixar as crianças brincarem em terra onde os animais fazem as necessidades.
Resumindo: vermifugar é rotina, não emergência
Para fechar, a ideia central é simples. Comece cedo, repita no intervalo certo e não espere o bicho ficar doente para agir. A vermifugação em cães e gatos é um dos cuidados mais baratos e eficientes que a gente pode oferecer, e protege o pet e quem mora com ele. Se você tem dúvidas sobre o melhor esquema para o seu animal, converse com o veterinário de confiança, porque cada caso tem suas particularidades.
Este artigo é apenas informativo e não substitui a consulta veterinária. Nunca medique seu animal sem orientação profissional.




2 thoughts on “Vermifugação em cães e gatos: quando e com que frequência”
Comments are closed.