Pulgas e Carrapatos

Pulgas e Carrapatos: Como Tratar e Prevenir

Bem-Estar Animal

Quem tem cachorro ou gato sabe como é: basta ver o bichinho se coçando sem parar para bater aquele desespero. Eu já passei por isso e posso dizer que a coceira quase nunca é só “coisa de momento”. Neste guia, eu explico como funciona o tratamento e a prevenção de pulgas e carrapatos, o que realmente funciona no dia a dia e os erros que eu vejo muita gente cometer.

Por que pulgas e carrapatos são mais do que um incômodo

À primeira vista, parece só uma questão de desconforto. Na prática, porém, esses parasitas podem causar problemas sérios. A pulga, por exemplo, provoca a dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP), em que uma única picada já gera coceira intensa, feridas e queda de pelo. Além disso, ela transmite a tênia, um verme intestinal. Por isso, quem trata pulga também precisa cuidar da vermifugação, e eu expliquei isso em detalhes no artigo sobre vermifugação em cães e gatos.

Já o carrapato é um transmissor de doenças graves, como a erliquiose e a babesiose, conhecidas por muita gente como “doença do carrapato”. Elas atacam o sangue do animal e podem causar anemia, febre, apatia e sangramentos. Segundo o Companion Animal Parasite Council, a prevenção contínua é a estratégia mais eficaz para reduzir o risco dessas infecções. Ou seja, esperar o problema aparecer costuma sair mais caro e mais difícil.

Como saber se meu pet está com pulgas ou carrapatos

Nem sempre dá para ver o parasita de cara. Então, fique atento a estes sinais:

  • Coceira constante, lambidas e mordidas na pele;
  • Pontinhos pretos no pelo, parecidos com pó de café, que são as fezes da pulga;
  • Feridas, vermelhidão e perda de pelo, principalmente na base da cauda;
  • Pequenos “caroços” escuros presos à pele, que são carrapatos, geralmente perto das orelhas, entre os dedos e nas axilas;
  • Gengivas pálidas, cansaço e falta de apetite, que exigem atenção imediata.

Uma dica que aprendi com a minha veterinária é passar um pente fino no pelo sobre um papel branco. Se aparecerem pontinhos pretos que, ao serem molhados, ficam avermelhados, são fezes de pulga com sangue. Parece simples, mas funciona muito bem.

Entendendo o ciclo da pulga para tratar de verdade

Aqui está o ponto que mais surpreende as pessoas. As pulgas adultas que você vê no animal representam só uma pequena parte do problema. A maior parte da infestação, entre ovos, larvas e pupas, está escondida no ambiente: no sofá, no tapete, na caminha e no quintal.

Por isso, tratar apenas o bichinho e ignorar a casa é a receita para a infestação voltar. O ciclo completo pode levar de algumas semanas a alguns meses, e as pupas resistem bastante. Com isso em mente, o tratamento precisa ser mantido por vários meses seguidos, e não apenas em uma aplicação.

Como tratar pulgas e carrapatos: as opções disponíveis

Hoje existem várias formas de tratamento, e a escolha certa depende da espécie, do peso, da idade e do estilo de vida do animal. Veja um resumo:

Tipo de produto Como funciona Pontos de atenção
Comprimidos mastigáveis Agem por via oral e protegem por semanas Precisam de dose correta para o peso
Pipetas (spot-on) Aplicadas na pele, na nuca Evitar banho logo depois e contato com crianças até secar
Coleiras antiparasitárias Liberam o princípio ativo aos poucos Verificar a duração e a compatibilidade com a espécie
Sprays e shampoos Ação imediata, mas curta Servem como apoio, não como prevenção contínua

Um alerta importante: produtos feitos para cães podem ser perigosos para gatos. Alguns contêm substâncias, como a permetrina, que são tóxicas para felinos e podem causar tremores e até levar à morte. Por isso, nunca aplique no gato um produto que não seja indicado para ele. Quando tive dúvida, nem pensei duas vezes: liguei para o veterinário antes de comprar qualquer coisa.

Como remover um carrapato do jeito certo

Encontrou um carrapato no seu pet? Respire fundo, porque o segredo é agir com calma. Eu faço assim:

  1. Uso luvas e uma pinça fina, de ponta reta, ou um removedor próprio para carrapatos;
  2. Seguro o carrapato o mais perto possível da pele do animal;
  3. Puxo com firmeza e de forma contínua, sem torcer nem apertar o corpo dele;
  4. Limpo o local com antisséptico e lavo bem as mãos;
  5. Descarto o carrapato de forma segura e observo o local nos dias seguintes.

Evite passar óleo, álcool, vaselina ou fogo, porque isso pode fazer o carrapato regurgitar na pele do animal e aumentar o risco de infecção. Se a cabeça ficar presa ou a pele inflamar, procure o veterinário. Aliás, para saber como agir em situações assim, vale conferir o que fazer em caso de emergência com seu pet.

Como prevenir pulgas e carrapatos no dia a dia

Cuide do animal com regularidade

A prevenção funciona melhor quando vira rotina. Escolha, junto com o veterinário, o antiparasitário mais adequado e mantenha as aplicações sempre na data certa. Eu uso o calendário do celular com alerta, porque esquecer um mês já é o suficiente para o parasita voltar. Além disso, inspecione o pelo depois de passeios em grama alta, parques e áreas de mato.

Cuide do ambiente

Como vimos, boa parte do problema está fora do animal. Por isso, vale adotar alguns hábitos:

  • Lavar as caminhas, mantas e cobertores em água quente toda semana;
  • Passar aspirador em sofás, tapetes e frestas, descartando o saco depois;
  • Manter o quintal limpo, com a grama aparada e sem entulho;
  • Tratar todos os animais da casa ao mesmo tempo, mesmo os que parecem “limpos”;
  • Consultar o veterinário sobre produtos específicos para o ambiente, se a infestação for grande.

Atenção à higiene e ao banho

O banho ajuda a aliviar a coceira e a remover parasitas, mas sozinho não resolve. No caso dos felinos, o momento do banho pode ser bem estressante, então confira as dicas sobre como dar banho em gato sem estresse. Já para os cães, mantenha uma frequência adequada, porque banhos em excesso ressecam a pele.

Erros comuns que eu aprendi a evitar

  • Tratar só quando vê o parasita. Quando você vê, a infestação já está avançada.
  • Interromper o tratamento cedo demais. O ciclo da pulga é longo, e parar antes do tempo faz tudo recomeçar.
  • Usar receitas caseiras. Vinagre, óleos essenciais e alho podem irritar a pele e até intoxicar o animal.
  • Esquecer a casa. Sem limpar o ambiente, os ovos continuam eclodindo.
  • Calcular a dose no olho. O produto precisa ser compatível com a espécie, o peso e a idade.

Quando levar o pet ao veterinário

Procure ajuda profissional se notar feridas abertas, queda de pelo em áreas grandes, febre, apatia, sangramentos ou gengivas pálidas. Filhotes, idosos e animais com outras doenças merecem ainda mais cuidado, pois ficam debilitados mais rápido. Para entender melhor como esse acompanhamento funciona, leia sobre quando levar o pet ao veterinário pela primeira vez. Se o seu pet passou tempo em áreas de mato e você quer entender os riscos de carrapatos para a família, o CDC reúne informações sobre prevenção que também valem para os tutores.

Resumindo: prevenção constante é o melhor caminho

No fim das contas, tratar pulgas e carrapatos exige três coisas: o produto certo para o seu animal, constância nas aplicações e cuidado com o ambiente. Quando a gente entende que o problema vai muito além do bichinho, tudo fica mais fácil. Se você tem dúvidas sobre o melhor produto para o seu pet, converse com o veterinário de confiança, já que cada caso tem suas particularidades.

Este artigo é apenas informativo e não substitui a consulta veterinária. Nunca medique seu animal sem orientação profissional.